domingo, 21 de setembro de 2014

MODERNIZAÇÃO DOS FORNOS PARA PRODUZIR CAL

Empresa em Governador Dix-sept Rosado realiza procedimento para beneficiar a cal. Foto: Alcivan Costa
A produção da cal em Governador Dix-sept Rosado atravessa um período de modernização dos fornos destinados à queima do calcário. Wadih Asfora, diretor operacional de uma empresa de beneficiamento da cal situada no município, conta que, desde 2010, a classe produtora está submetida a ajustes referentes ao aspecto ambiental deflagrados por um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

O estabelecimento do TAC teve participação do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (IDEMA), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Retornáveis (IBAMA), do Município e Ministério Público Estadual (MPRN). O Idema é o órgão que expede a licença ambiental necessária à plena legalização da atividade.

"A partir do TAC, uma série de ações foram elaboradas, objetivando o enquadramento da atividade à legislação ambiental. Agora, todo produtor das caeiras (forno de produção da cal) está com o licenciamento em renovação. Eles foram condicionados a apresentar ao Idema um processo de modernização dos fornos", disse.

De acordo com Wadih, atendendo essa recomendação, a empresa investiu em um projeto piloto voltado à melhoria energética dos fornos e à redução das partículas provenientes da queima do calcário. O projeto foi aplicado, inicialmente, em um forno que faz parte dos fornecedores da cal encaminhada para a empresa. Contudo, segundo o diretor, realizados os testes, o objetivo é estender a modernização aos demais fornos que abastecem a empresa.

A modernização implica instalar um sistema de exaustão de ar, o que possibilita o uso de pedras com tamanhos menores, facilitando a queima. O processo prevê também a implantação de uma cuba metálica na parte superior do forno que permitirá o direcionamento das partículas emitidas pela queima do calcário até ao sistema de enclausuramento.

"Esse projeto vai receber um laudo final de avaliação do Centro de Tecnologia do Gás, o CTGAS, consultor contratado pelo Sebrae para assistência técnica. O laudo vai ser homologado. Será realizada medição do consumo energético e das partículas na atmosfera, para apresentar ao Idema um relatório quantitativo", disse Wadih.

Segundo o diretor operacional, a empresa consome 60% da cal virgem bruta que os fornos produzem. "Estamos desenvolvendo um trabalho que beneficiará a associação dos produtores. A ideia é pleitear junto ao Sebrae linhas de crédito a fim de que o pequeno produtor também possa realizar a modernização. Hoje, a energia térmica dos fornos é proveniente da biomassa. Como esse projeto vai aumentar a eficiência energética, o objetivo é diminuir a biomassa nos fornos", frisou.

Para Wadih, a modernização resultará em benefício. "Essa modernização vai proporcionar mais competitividade, devido à redução de custo e ao ganho de qualidade, em função de um controle mais eficiente da queima", declarou.

O diretor disse que, atualmente, a empresa possui 50 funcionários diretos e possibilita mais 150 empregos indiretos. Além disso, a capacidade de produção da cal é de 5 mil toneladas por mês. Os setores atendidos são construção civil, siderurgia, indústria de celulose, indústria de açúcar, produção de álcool, produção de alumínio, tratamento de água, curtume de couro e indústria química.

Nelson da Silveira, 32, trabalha na queima de pedras de calcário desde os 18 anos e explicou como é realizado o procedimento. "As pedras calcárias são arrumadas no forno. Então, colocamos fogo na lenha, para as pedras, que, após esse processo, fica menos sólida, mais passível de ser triturada. Dessa vez, teremos seis pessoas para efetuar a queima. Precisamos segurar a pressão para manter a temperatura. As pedras foram inseridas no forno hoje (quarta-feira passada, 17) e ficarão prontas apenas no sábado (ontem). Concluída essa etapa, encaminhamos para a usina, onde o produto é finalizado", explicou.

Francisco Demétrio é dono do forno onde trabalha Nelson. Ele implantou a própria caeira em 1985 e permanece investindo na atividade. "Por mês, conseguimos produzir 110 toneladas de matéria-prima para a indústria. Nosso principal mercado é o Estado de Pernambuco. Por cada tonelada, recebo R$ 160,00", disse.

A analista ambiental do Idema, Elisabeth Cavalcanti, ressaltou que a modernização dos fornos faz parte do Termo de Ajustamento de Conduta firmado com os proprietários das caeiras.

"Os produtores da cal entraram em processo de licença de operação, que ainda não foi emitida, porque não houve a entrega do laudo do CTGAS sobre o projeto piloto do forno modernizado. A partir do laudo, vamos poder avaliar se as adequações no forno têm os efeitos esperados, como o controle e qualidade do ar, a redução do consumo de lenha e a questão da segurança. Devido ao que foi firmado por meio do Termo de Ajustamento de Conduta, aguardo os documentos solicitados, para marcar uma audiência com o Ministério Público. O objetivo é apurar se os produtores atenderam às adequações ambientais exigidas. De acordo com o que for definido, daremos continuidade ao processo de emissão das licenças de operação dos fornos", explicou.
Fonte: Gazeta do Oeste

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