quinta-feira, 13 de agosto de 2015

ACORDO NÃO AGRADA TOTALIDADE DOS MOTORISTAS DE TÁXIS INTERMUNICIPAIS

Taxistas “autônomos” fazem o transporte alternativo intermunicipal de passageiros do Alto e Médio-Oeste para Mossoró – Foto Ednilto Neves
Parte dos taxistas que fazem o transporte intermunicipal de passageiros das cidades do Alto e Médio-Oeste continuam insatisfeitos com a determinação sobre o embarque e desembarque de passageiros em Mossoró. São os profissionais que não integram a Associação dos Proprietários e Condutores de Transportes Alternativos Complementar das Regiões Central, Vale do Açu, Mossoró, Leste e Alto-Oeste (ATACAMA) e que se classificam como autônomos.

Boa parte deles presta serviço a prefeituras para realizar o transporte de pessoas carentes e de estudantes, alguns com contrato, e diz que não concorda em ter que deixar os passageiros no local de destino e precisar voltar para os pontos fixos, como ficou determinado em reunião realizada na terça-feira, entre Atacama, táxis-lotação e Secretaria de Mobilidade Urbana (SEMOB).

O taxista Derrá Holanda diz que a maioria dos passageiros é composta por pessoas carentes que vêm a Mossoró para fazer tratamento contra o câncer ou idosos para consultas médicas. Muitas vezes são pessoas que vêm com ordem de serviço das prefeituras por não terem condições de pagar a passagem. Nisso eles também não teriam condições de pagar um táxi-lotação ou o transporte coletivo para ir até o ponto fixado para os alternativos.

Os motoristas que não integram a associação reclamam que não foram ouvidos pela Prefeitura e não foram sequer comunicados sobre as últimas reuniões. Lembram também que há outros motoristas autônomos, que fazem o transporte alternativo intermunicipal, na mesma situação.

Derrá diz que em uma reunião que participou com a Secretaria de Mobilidade Urbana, o secretário da pasta teria dito que esses passageiros devem ficar a cargo das prefeituras. “Qual o usuário aqui que vai para outra cidade fazer um tratamento e a prefeitura dá cobertura?”, questiona.

O taxista Adalberto Souza cita o exemplo de Messias Targino, onde há apenas uma ambulância para atender toda a população. “Uma ambulância para a população toda, não tem como deixar e pegar cada pessoa que vem fazer tratamento e muitas vezes a gente tira do próprio bolso para ajudar a pagar o café da manhã para o passageiro porque ele não tem dinheiro”, ressalta.

Os taxistas autônomos acreditam que, com essa medida, é possível que os passageiros passem preferir o comércio e as clínicas de outras cidades mais próximas e, com isso, o comércio mossoroense pode enfraquecer.

“A gente perde a metade dos passageiros e o comércio de Mossoró também perde a metade. A CDL já fez pesquisa que mostra que são cerca de 1.300 transportes que entram diariamente em Mossoró, em torno de 6 mil pessoas, que vêm principalmente para tratamento de saúde e comércio”, lembra Adalberto Souza.

Francisco Xavier Brás, taxista autônomo, diz ainda que eles não fazem lotação nos bairros. Os passageiros são levados ao destino, aos bairros e, quando precisam voltar, ligam para chamar a van.

“Isso fere o direito de ir e vir. Só vai prejudicar”, acrescenta outro autônomo Alberto Álison.

Acordo

Ontem pela manhã foi assinado o acordo feito entre Prefeitura, Atacama e taxistas municipais, sobre o embarque e desembarque de passageiros de outras cidades em Mossoró, discutido em reunião realizada na terça-feira, na sede da Secretaria de Mobilidade Urbana.

O acordo foi assinado pelo prefeito Francisco José Júnior, titular e adjunto da Secretaria de Mobilidade Urbana e representantes dos taxistas intermunicipais e municipais. Participaram também representantes da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Associação Comercial e Industrial de Mossoró (ACIM) e Sindicato do Comércio Varejista (SINDIVAREJO).

De acordo com o gerente executivo de Trânsito da Semob, Luís Correia, os taxistas intermunicipais autônomos terão que se adaptar ao que foi definido, pois não haverá mais mudança. “Vão ter que se adaptar, até porque a associação compreende 92 cidades”, ressalta Luís Correia.

O taxista intermunicipal poderá deixar o passageiro em qualquer local, no entanto, ao chegar a Mossoró, esse passageiro deixa de ser intermunicipal e passa a ser usuário do transporte público, e terá mais opções para se locomover na cidade. Com o novo acordo, o passageiro que ficar no centro poderá pegar um ônibus até o ponto de apoio e de lá voltar com o taxista de sua cidade ou também pode pegar um táxi de Mossoró e voltar direto para a cidade de origem.

O novo acordo deve ser publicado no Jornal Oficial do Município (JOM) para poder entrar em vigor.

Gazeta do Oeste

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